TaBaNgA -EDIÇÃO DO MÊS

Colônia de Pescadores: Retrato do Abandono

        A Colônia de Pescadores de Traipu (C.P. Z18 ) é uma sociedade civil autônoma sem fins lucrativos, formada pelos pescadores profissionais dos municípios ribeirinhos de Belo Monte a São Brás organizados em sindicato. Fundada em 19 de outubro de 1938, com sede na Rua Frei Caneca, tem a finalidade de combater a pesca predatória e pleitear junto aos órgãos públicos pela defesa de seus membros.
        Em entrevista ao TABANGA no último mês de maio, o seu presidente Sebastião Tavares Galvão (popular Bastinho) e o tesoureiro José Antônio Leandro dos Santos (popular Zé de Miúdo), demonstraram grande indignação com a atual situação da C. P. Z18 no tocante a falta de recursos para custear as despesas básicas como a manutenção do prédio-sede.
        A C. P.Z18 tem como renda o dízimo (mensalidade equivalente a R$ 2,00 ) e a taxa cobrada pela atualização da carteira de pescador. São 650 associados dos quais apenas dois estão com o pagamento em dia.
        O principal agravante da situação dessa Colônia é, segundo o seu presidente, o fim do sistema natural das cheias causado pela construção de barragens para a produção de energia elétrica. “As cheias são sinônimo de fartura pois o peixe desova e rapidamente chega a fase adulta devido à abundância de alimento. Contudo a Colônia ganha novos associados e consegue recursos para a sua manutenção já que o pescador tem dinheiro e pode pagar a mensalidade”, comenta o tesoureiro Zé de Miúdo. Porém a situação atual dessa Colônia se reflete no prédio-sede deteriorado pelo tempo, no fornecimento de energia elétrica cortado por falta de pagamento, na inadimplência dos associados que não têm condições de pagar a mensalidade e na péssima condição higiênica da Banca de Peixes que chama a atenção mais pelas moscas que pelo pescado exposto à venda.
        Apesar de todos esses problemas, os projetos de criação de peixe em cativeiro nos remansos do São Francisco, que poderia amenizar a situação dos pescadores traipuenses, não têm recebido a atenção merecida do Banco do Nordeste que chegou a alegar, segundo pescadores presentes em uma reunião do Farol do Desenvolvimento, que “pescador não sabe criar peixe”.
        Abandonados à própria sorte, a C. P. Z18 apela para a sociedade traipuense e aos órgãos públicos, que no ensejo de suas atribuições de comprometimento com o social, abram os olhos para os problemas dessa comunidade e os ajude a sair dessa crise.

A poesia é uma forma especial
de linguagem

        A poesia é uma forma especial de linguagem, mais dirigida à imaginação e à sensibilidade do que ao raciocínio.É uma das mais importantes formas literárias. Diferente, em vez de comunicar informações, ela transmite sobretudo emoções.
        A tradição poética começou muito cedo na Grécia, por volta do séc. VII A . C. , e até os nossos dias sofreu várias mudanças.
        O Brasil tem dado a sua contribuição à tradição poética por revelar ao mundo personalidades universais, como Carlos Drummond de Andrade e atuais, como Waly Salomão.Mas é do Nordeste que saem as jóias da poesia matuta, a poesia de cordel.
        Embora muitos desses poetas vivam talvez pela falta de interesse e mesmo receio de mostrar seu trabalho no anonimato, alguns se orgulham de se expor às críticas e elogios do público: a essa ramificação, encontramos o traipuense Alvaci Martins.
        Em entrevista ao TABANGA, Alvaci falou que adquiriu o gosto pela escrita poética ainda muito jovem, e com o passar do tempo conseguiu se aperfeiçoar.
        Seus temas têm inspiração diversa: de cunho social, político, de exaltação à natureza, de amor , de reflexão.Perguntado se é preciso ter dom para ser poeta, responde que:”tem que ter o dom , já que o interesse é o próprio dom.Se pega o costume de escrever, isso vira uma coisa rotineira”.
        Motivado pela entrevista, o poeta traipuense confessa o desejo de publicar algumas das suas poesias, embora saiba das dificuldades e pouco interesse no meio traipuense.Mas, enquanto não se tornam públicas as suas poesias, Alvaci que muito aprecia a leitura de Graciliano Ramos faz a sua parte, desenvolvendo temas que, sorrateiros, surgem em momentos de tranqüilidade.
        Para os iniciantes, ele fala : ”É preciso que saibam que ninguém é nada sem tentar”. E faz uma homenagem a sua cidade com um trecho de sua poesia “ tabanga”: 


A tabanga se contrasta
Ao olhar do visitante
Majestosa se destaca
Por sua beleza marcante
Cenário que a natureza 
Expôs com toda a beleza
Aos olhos do navegante


        O talento do traipuense é natural e precisa ser conhecido. Assim como Alvaci, há muitos ainda no anonimato e que precisam de uma chance para mostrar as suas habilidades com a escrita. Encerramos com uma famosa frase do poeta espanhol García Lorca: “ todas as coisas têm seu mistério, e a poesia é o mistério que todas as coisas têm”. 

Cidadão do Mundo

Crônica de Laércio Montenegro

        Ele nasceu na cidade de Traipu, município ribeirinho do São Francisco, e uma das paisagens mais bonitas daquela região.Ainda menino, por necessidade familiar, teve que ir morar no Rio de Janeiro. Até aí tudo normal, pois faz parte da vida do nordestino emigrar para outras plagas à procura de dias melhores. Só que este menino levara uma estória singela e comovente.
        Ainda criança na sua Traipu, onde nadara nas águas da rio São Francisco, às vezes cavalgando o seu carneiro branco, já demonstrava nos seus seis anos de idade uma tendência significativa para a música. Colocado a estudar na escola de música local, era de uma compleição física tão diminuta que era necessário coloca-lo em cima de um tamborete para poder ler as partituras. Perguntado pelo seu pai , também músico, onde adquirira gosto pela música e porque se sentia tão a vontade com todos os melodiosos acordes respondeu: “um pássaro me ensinou”. Foi o começo de tudo.
        No Rio de Janeiro, após os momentos de dificuldades oferecidos pela cidade grande, começava a se desenhar a figura daquele que veio a se tornar num dos maiores regentes de orquestra sinfônica do mundo.Regeu orquestras do mundo todo, sempre como convidado especial. E arrancou aplausos de multidões amantes da música clássica. Era o matuto de Traipu dominando as platéias do mundo.
        Escrevi um artigo em sua homenagem em um dos jornais, intitulado “o menino e o pássaro”. Enviei-lhe um recorte do jornal e uma carta, parabenizando-o pelo grande feito. Em telefonema recente a seu conterrâneo Airton Mendonça revelou ele seu grande desejo já alimentado a muito tempo: reger a sua orquestra sinfônica , que ele criou e que é da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual é maestro titular, aqui em Maceió , num reencontro desejado com sua terra. Pretende ainda , e aí lhe fiz a sugestão , reger a mesma orquestra , juntamente com a Banda de Música de Traipu, à beira do rio São Francisco.
        Seria certamente um espetáculo para o mundo. E aí pergunto: E as nossas autoridades envolvidas com os movimentos culturais no Estado? Silêncio completo, pois o calendário deve estar sobrecarregado com espetáculos como Maceió Fest e outros movimentos que passam ao largo das nossas tradições culturais . Mas o maestro Florentino da Silva nome de fogueteiro não desiste: vai convidar a musa de Alagoas, Tereza Collor para ser madrinha da Orquestra sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Sabemos que a Tereza Collor terá sensibilidade para tal pretensão. Alagoas merece isso. 

UMA CIDADE NO LIXO

        Caminhando pelas ruas de Traipu é fácil perceber o quanto os traipuenses desrespeitam o lugar onde vivem, caracterizando um descaso que parte tanto dos moradores quanto do poder público, representado pela seqüência de prefeitos desleixados, inoperantes, independentes de partido ou convicção. Sem dúvida, são várias as formas de agressão a nossa cidade.
        O lixo no ambiente urbano e no natural é um problema comum a um pequena, média ou grande cidade. Isto já não é novidade. O que choca é sentir o descaso assumido por grande parte dos traipuenses no trato com o espaço onde vivem.
        O ato de jogar papel nas ruas talvez seja o mais aparente sinal do desrespeito com a cidade. _Também, onde eu vou jogar o lixo? você pode está se perguntando agora, afinal não deixa de ser verdade. Nas ruas de Traipu, a ausência de lixeiras são evidentes, e as poucas que a atual administração pública colocou, já foram praticamente depredadas.
        Revisando a história, no século XIX o lixo era coletado pelos escravos e os dejetos humanos eram levados para terrenos baldios, que com a abolição da escravatura, entraram em cena os catadores. Culturalmente, está intrínseca no brasileiro, e não diferente no traipuense, a idéia de que a obrigação de manter a cidade limpa é única e exclusiva dos garis.
        Dados oficiais indicam que cada pessoa produz, em média, um quilo de lixo por dia, entre plásticos, vidros, papéis e restos de comida, que no nosso caso viram lavagem para porcos, os mesmos que habitam às margens da lagoa do Padre e do rio São Francisco. O lixo não desaparece depois de ser coletado, terminando em terrenos baldios localizados próximos às nossas casas. Neste contexto, Traipu tem uma particularidade a mais em relação a outras cidades, pois aqui nosso lixo, até pouco menos de três meses, era jogado nos fundos de um conjunto residencial popular e da Estação de Tratamento de Água, recém inaugurada.
        Como cidadãos, tomar consciência da importância do papel de cada um na melhoria da qualidade de vida nas cidades é de fundamental importância. Entretanto, a grande maioria dos moradores de Traipu não enxergam a cidade como prolongamento de suas casas. Como afirmou o arquiteto e urbanista Lúcio Costa em entrevista cedida ao Correio Brasiliense de 23 de abril de 1995, a higiene e o equilíbrio do meio ambiente urbano e natural, partem de nossas casas, chegando às calçadas e às ruas. A educação ambiental é essencial para que consigamos educar o traipuense para o hábito da reciclagem.

 

CADA CANOA TEM SEU MESTRE

        Às margens do São Francisco, ainda hoje, uma das atividades mais antigas e nobres é executada pelo homem. Os mestres construtores de canoas recordam com saudade os tempos em que o Velho Chico era transposto a todo momento por suas obras. Foi para apresentar e resgatar essa atividade, que conversamos com Luís Carlos “Carpinteiro”, um dos últimos construtores de embarcações.
        Quando chegamos à beira do rio, no sábado, numa tarde nublada, encontramos nosso personagem a observar o Velho Chico e a Serra da Tabanga, onde tem uma propriedade. Luís Carlos nos recebeu gentilmente. Nos dirigimos às pedras devido ao barulho que vinha do som de um carro e, enquanto conversávamos sobre sua atividade, contemplávamos o rio e a serra.
        Luís Carlos, juntamente com Erpídio, que o auxilia, e José da Laguna são os últimos construtores de embarcações desse Médio São Francisco. Ambos têm na madeira, cada vez mais escassa, a matéria-prima de suas obras. Madeira que é cortada, serrada, aplainada, acariciada, perfazendo “90% de transpiração e 10% de inspiração”.
        Luís Carlos fez sua primeira canoa quando tinha 21 anos. Ele confessa que não saiu perfeita, mas para quem aprendeu sozinho, foi um grande passo. Com cerca de 32 anos construindo canoas, botes, chatas, toldas, etc., ele já viu muita coisa nesse São Francisco. Das corridas de canoas tão comuns nas festas de Bom Jesus, por exemplo, ele diz que elas já foram mais animadas. Antigamente, os prêmios eram mais altos, valendo o esforço de se ter uma canoa somente para competir. Com as premiações de hoje, essa atividade corre o risco de afundar.
        Construir canoas está cada vez mais difícil. Os tempos modernos trouxeram estradas, e as águas do rio ficaram em segundo plano. Luís Carlos tem pouca esperança que alguém venha lhe suceder no feitio de canoas. O trabalho é duro. Graças a uma Associação de Pescadores de Sergipe, nosso mestre ainda vai construir dois barcos e dez botes, caso contrário ele já teria parado.
        O botes, mais baratos e menos trabalhosos que as canoas, são o que ainda surge para fazer. Mas, nosso entrevistado diz que o prazer em fazer uma canoa é maior. Das canoas, a tolda e a chata são o que há de mais belo no São Francisco, principalmente por causa do tamanho e formato de suas velas. Luís Carlos já fez os dois tipos de canoas e, ainda hoje, tem uma tolda em sua propriedade, a última que corta as águas de nosso rio. Ele atribui esse fato à quase inexistência de fretes, coisa que põe em risco até as lanchas.
        É pena que o Velho Chico esteja tão debilitado. Esperamos que as carrancas, tradicionais na Bahia e, que Luís Carlos usou em uma de suas últimas lanchas, espantem todos os fantasmas que pairam sobre o velho Rio.

 

Educação em Traipu, o retrato da ignorância dos seus representantes.

        O Município de Traipu recebe, em média e todos os meses, uma quantia de R$ 212 mil do FUNDEF, para desenvolver a educação no nosso município, porém a má administração desse dinheiro por parte do nosso prefeito José Afonso e da equipe de secretárias de educação, fazem com que a educação em Traipu seja o retrato da própria educação deles, ou seja, nenhuma.
        O resultado da (má)administração da Educação em Traipu, que é feita por pessoas sem qualificação profissional, ou seja, sem formação superior ou até mesmo sensibilidade, honestidade, solidariedade e vontade de trabalhar pelo bem da Educação, é o desonhoso título de “a cidade alagoana vice-campeã de analfabetismo” (com seus representantes querendo o 1° lugar). A merenda escolar não existe e, quando tem, é mínima e praticamente lavagem. A maioria das escolas possui apenas meia dúzia de cadeiras, o que obriga os alunos a estudarem sentados no chão, os professores não teêm birô para realizarem seus trabalhos. Os salários dos professores são menores do que o que realmente deveriam receber de acordo com as quantias que o FUNDEF destina a cidade, e ainda recebem ameaças, charadas e gestos obscenos quando reivindicam a aplicação correta do dinheiro que por direito é do povo.
        Um outro fato negativo, que merece destaque, é a instalação de escolas em casas de farinha, um local completamente inadequado para receber e desenvolver atividades relacionadas à educação. Por conta das chuvas, os oleiros estão trabalhando na confecção de telhas e tijolos no mesmo ambiente em que os alunos tentam estudar, visto que o barulho do trabalho dos oleiros atrapalha as aulas e o aprendizado dos alunos. No mês de setembro, o problema o problema irá se agravar, pois é nesse mês que começará o período de farinhadas e os donos das casas de farinha já estão pedindo a desocupação das mesmas por parte dos alunos e professores. 
        É essa a educação que os nossos “representantes” querem nos dar, porque um eleitor analfabeto é mais fácil de se enganar, e é mais vantagem para eles, pois os analfabetos, normalmente, não reivindicam os seus direitos, o que os deixam livres para cometerem as suas arbitrariedades e irresponsabilidades.O que nos deixa mais revoltados é saber que em Penedo a educação funciona, mesmo recebendo por mês do FUNDEF menos do que Traipu. Mas é bom os responsáveis tomarem cuidado, pois o Superintendente da Polícia Federal em Alagoas, Bérgson Toledo, informou que a PF está dependendo de uma solicitação do Ministério Público Estadual para investigar a possibilidade de desvio dos recursos do FUNDEF nos municípios, e conseqüentemente apontar os verdadeiros envolvidos no caso.
        Nota 10 para os professores e alunos pela luta corajosa na busca de um amanhã de pessoas mais conscientes e educadas, e uma nota negativa para os (ir)responsáveis pela educação na atual administração José Afonso. O TABANGA está à disposição da secretaria de educação de Traipu, para que, caso tenham coragem, expliquem como é feita a administração do dinheiro do FUNDEF na nossa cidade.

EDITORIAL

Considerações sobre o Tabanga

        O conselho editorial do TABANGA está se valendo deste espaço para esclarecer à sociedade traipuense alguns mal-entendidos que surgiram a partir da sua segunda edição.
        O primeiro fato foi o maldoso boato, que algumas pessoas desinformadas espalharam, de que o TABANGA pertencia ao vereador Pinheiro, o que o caracterizaria como jornal de oposição; o segundo fato foi a atitude infantil e infundada do pároco local, o Sr José Valdenice da Silva.
        Queremos que todos saibam que o Tabanga é um jornal sério, comprometido com a verdade; composto por jovens traipuenses voltados para sua comunidade e preocupados com a cultura e o progresso de seu povo. Se denunciamos as atrapalhadas políticas, o uso indiscriminado do poder em favorecimento de meia-dúzia de aproveitadores, é porque este jornal é um canal do povo e não de politiqueiros. Nós não somos um jornal de oposição, apenas tentamos fazer o nosso papel de cidadão, conscientizando o povo dos seus direitos e cobrando das autoridades (in)competentes explicações sobre os seus erros.
        Quanto ao pároco, podemos sentir em suas palavras: “estes universitários de meia tigela, que sabe-se lá Deus como é que cursam suas faculdades ... Faculdade por faculdade eu tenho três !(que pedante!!!) ... não têm fé em Nossa Senhora do Ó: ficam pelos botecos bebendo”. Parabéns padre, pelas três faculdades, mas de que lhe servem tantas faculdades, se nenhum trabalho social é desenvolvido pelo Sr na paróquia de Nossa Senhora do Ó. Nossas faculdades são cursadas com muito orgulho e amor pelos cursos que escolhemos, inclusive nos destacando respeitosamente entre nossos colegas. 
        Este jornal sempre esteve aberto àqueles que, incomodados por alguma matéria, tivessem o direito de resposta. Portanto, é inaceitável que usem a Igreja como forma de rebate a alguma denúncia e,mais, no meio da missa. O que nós queremos é uma postura digna de vigário e mais respeito com aqueles que quando chegaste já os encontrara .
        No mais, paz e prosperidade Traipu!

 

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